Africana Studia nº 24 - África - Arqueologia e Paisagem

África - Arqueologia e Paisagem

 

Índice:

  • Editorial (p. 5)
  • Pré-História, Etnoarqueologia e Património
    • Audax ZP Mabulla - Middle Pleistocene Lithic Industry and Hominin Behavior at Laetoli (p.13)
    • Daniela de Matos - Review of the Stone Age Archaeology in Southwestern Angola (p.33)
    • Alma Mekondjo Nankela - Rock Art Research in Namibia: a Synopsis (p.39)
    • Everlyne E. Mbwambo e Luiz Oosterbeek - Rethinking the presentation at Olduvai Gorge site museum within Integrated Landscape Management (ILM) framework (p.57)
    • Noudjiko Hamdji Milman - Le couteau de jet en milieu Gabri (p.65)
    • Ziva Domingos e Bumba de Castro - Património e Arqueologia Angolana como potenciais aliados de uma atividade turística nacional residual (p.71)
    • André Serdoura e Jorge Guimarães - Prospeção no Sul de Angola: o caso dos recintos murados da Huíla (p.83)
    • Éva Sebestyén - O contexto cultural dos marcos de terrenos nas aldeias Ambundu/Angola (p.91)
    • Cristina Sá Valentim - À procura da ‘autenticidade indígena’. Tradição, tradução e transformação nas recolhas etnomusicais do Museu do Dundo em Angola (p.107)
  • Historiografia da Arqueologia
    • Ana Cristina Martins - Arqueologia portuguesa em solo africano durante o Estado Novo: (alguns) atores, espaços e projetos – o caso de Moçambique (p.129)
    • Ana Godinho Coelho, Inês Pinto e Ana Cristina Martins - Percursos de Miguel Ramos (1932-1991) na arqueologia: síntese e perspetivas (p.145)
    • Inês Pinto e Ana Godinho Coelho - Redescobrindo estações arqueológicas à guarda do IICT (p.161)
  • Entrevista
    • Moustapha Sall – Les équipes de recherche ont permis de montrer que ces pierres, tas de déchets, lieux mystiques, cimetières hantés (dans la perception populaire) sont de véritables bibliothèques au-delà des actuelles représentations idéologiques. - Entrevista conduzida por Luiz Oosterbek (p.171)
    • África em debate
    • Poderes e identidades
    • Augusto Nascimento - Alda do Espírito Santo: a distinção social, a militância política e a tristeza (p.177)
    • Mohamed Abdillahi Bahdon - Migration, sécurité et la base militaire des États-Unis – La République de Djibouti au centre de la lutte contre le terrorisme international dans la corne de l’Afrique et de l’Arabie du Sud (p.203)
  • Notas de leitura
    • René Pélissier - Gloires et Misères. Impériales? Nationales? (p.223)
  • Resumos (p.235)
  • Legendas das ilustrações (p.243)

  

Editorial 

Todas as grandes temáticas relacionadas com a origem e evolução da Humanidade, até ao presente, encontram em África um amplo e crucial território de pesquisa. A arqueologia, mercê da tardia ocorrência de documentação escrita no continente, mas também do silenciamento de muitas realidades endógenas durante a maior parte do período para que dispomos de fontes escritas, permanece como a principal fonte de recursos documentais para a compreensão das dinâmicas humanas no Continente. Temas fulcrais da história geral de África e da nossa espécie dependem essencialmente da investigação arqueológica, como as origens da espécie, as diversas migrações para fora de África no Pleistocénico, a arte rupestre, as modificações ambientais no Quaternário, as dinâmicas interculturais anteriores e posteriores ao contacto com os europeus, as origens da metalurgia, a diáspora moderna associado à escravatura, etc. A investigação em arqueologia situa-se no cruzamento das ciências humanas com as ciências da terra e da vida, com a proteção dos vestígios materiais carregados de valores simbólicos que testemunham as diferentes culturas e com a socialização do conhecimento assim produzido, designadamente no domínio da museologia e da comunicação científica e social.

Estudar a arqueologia africana na sociedade atual não é apenas prosseguir o esforço de muitos investigadores no período colonial, mas também beneficiar do cruzamento de perspectivas culturais e teóricas, constituindo equipas transdisciplinares e intercontinentais, em que os investigadores africanos assumiram de forma plena a condução da investigação.

Os trabalhos do Congresso Pan-Africano de Arqueologia (PanAf), associados aos da União Internacional das Ciências Pré-Históricas e Proto-Históricas (UISPP), ao longo de décadas têm sistematizado essa nova era da investigação.

Esta dinâmica actual da investigação arqueológica africana é fundamental como instrumento para a refundação das ciências humanas (no âmbito dos esforços do Conselho Internacional de Filosofia e Ciências Humanas e da UNESCO) e para o entendimento das dinâmicas atuais de ligação entre as realidades globais e locais (foco do proposto Ano Internacional do Entendimento Global).

A arqueologia africana continuará, certamente, um campo de pesquisa aberto durante os próximos anos. O crescente número de investigadores, bem como o crescente interesse que os estados Africanos, num ambiente de crescimento expectável mais favorável, estão a ter pelo seu património cultural e natural, justificam a criação de novas redes de pesquisa. Em Janeiro de 2013, o CEAUP organizou, no Porto, um primeiro Seminário sobre Arqueologia de Angola (publicado na revista Africana Studia). Tendo este atingido os seus objetivos, nomeadamente pela comparação de experiências, assuntos e metodologias, concluiu-se haver necessidade de um estudo mais alargado e comparativo.

Entre os dias 3 e 5 de Junho de 2015, o Instituto Terra e Memória (ITM), o Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP) e a Direção Nacional dos Museus de Angola (DINAM), com a UISPP e o Centro de Geociências da Universidade de Coimbra, organizaram um Seminário Internacional de Arqueologia Africana Sub-Sahariana. 

O encontro visou:

– divulgar os resultados de investigação arqueológica produzidos durante os últimos anos no continente Africano;

– consolidar projetos de investigação estruturantes nos domínios de Arqueologia e do Património;

– reforçar o intercâmbio entre equipas que trabalham em diferentes países africanos, em estreita colaboração com centros de investigação internacionais.

Tendo como tema central “África: Arqueologia e paisagem”, o Seminário reuniu 35 comunicações em torno de cinco secções: Problemáticas da Pré-história da Angola e da África Austral; Problemáticas da Pré-história da África Oriental; Problemáticas da arte rupestre; Problemáticas da Etnoarqueologia; O impacto das minas na paisagem africana; Problemáticas arqueológicas da época moderna pré-colonial; Problemáticas da História da Arqueologia e das Ciências Sociais em África; Problemáticas do património arqueológico. O presente número da Africana Studia integra algumas das contribuições essencialmente centradas na África Austral, bem como sobre a história da investigação arqueológica em África. Elas reforçam a retoma deste campo de pesquisas e assinalam um percurso de aprofundamento da colaboração dos centros de pesquisa no Porto e em Mação com a União Internacional das Ciências Pré-Históricas e Proto-Históricas.

Julgámos igualmente importante divulgar as conclusões aprovadas no final do seminário, que seguem transcritas na versão inglesa.

  

CONCLUSIONS OF THE INTERNATIONAL SEMINAR AFRICA: ARCHAEOLOGY AND LANDSCAPE, MAÇÃO, PORTUGAL

  • The International Seminar on African Archaeology, having gathered researchers from Angola, Burkina Faso, Mozambique, Namibia, Senegal, Tanzania, Tchad, Portugal, Spain, France, Hungary, Brazil, Ecuador and Japan, stress the importance of reinforcing transnational research on major topics such as

– the earliest human occupations in the Atlantic façade of the continent

– the migrations associated to the spread of farming and metallurgy

– the role of African techniques and artifacts in the shaping of cultures in southern America

-the contextualization of rock art clusters and the industrial archaeological heritage, mainly from former African mining territories.

 

  • The Seminar also expresses the need to undertake research in countries with less archaeological awareness, such as Guinea-Bissau or Equatorial Guinea. To this aim, the collaboration with the scientific commissions of the International Union of Prehistoric and Protohistoric Sciences (UISPP) focused on the origins of humans and on sub-Saharan archaeology should also aim to engage younger colleagues in international research and advanced studies in quaternary and prehistoric themes.
  • The participants have particularly addressed the opportunities and risks concerning archaeological heritage within major development projects and public works. In this sense, the Seminar appreciates that several African organizations have recognized the interest of hosting either as collaborators or observers different archaeological networks, as is the case of the Economic Community of West African States and its relation with the Association Ouest-Africaine d’Archéologie. Indeed, the study, preservation and the spread of knowledge related to archaeological remains is a relevant contributor towards lasting cultural but also economic resilience. In this sense, the participants agreed on the importance of the growing Southern knowledge and its growing contribution to the field of archeology. The challenges of African societies when dealing with our common archaeological inheritance have also to be understood as a means to understand that humans in the past, as today, required a global understanding of the various needs, constraints and interests in stake, at each moment. This is a primary need today, as stressed by the project of the International Year of Global Understanding, an initiative of the International Geographic Union endorsed by the Science Councils associated to UNESCO: the International Council of Philosophy and Human Sciences (CIPSH), the International Social Sciences Council (ISSC) and the International Council of Sciences (ICSU).
  • African archaeology, focusing dynamics in the cradle of humankind, in relation to technology, settlement patterns and other material remains of past adaptation, creativity and imagination, also offers major contributions to the aims and scope of the World Conference of the Humanities, organized by CIPSH, Unesco and Liège Together. The participants stress the need that such conference, announced for Liège in August 2017, be also prepared in Africa, through a regional conference. In this sense, the participants urge African scholars, universities, international communities, governments, local communities and the private sector, to take the opportunity of integrating the efforts of UISPP, of other networks such as Kandandu (on environment and sustainability amidst mining contexts), of the International Year of Global Understanding and of the World Conference of the Humanities, to build a comprehensive approach to the issues listed above.

Luiz Oosterbeek

 

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Edição gráfica: Marco Alvarez 
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Capa: Recinto do Eleu. Jau, Lubango, Angola.

Foto: Jorge Guimarães, 2015

 

Para leitura integral: http://ojs.letras.up.pt/index.php/1_Africana_2/issue/view/516

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