Reagir às Mudanças Climáticas na cidade da Beira, em Moçambique

Em dezembro de 2021, arrancou o Projeto ReAgir às Mudanças Climáticas na Beira[1], em Moçambique. Este projeto pretende colocar em diálogo estudantes, docentes e investigadores/as da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica de Moçambique (UCM) e as comunidades locais de Nhangau e Matacuane, para se procurarem respostas locais que ajudem a combater as mudanças climáticas e a mitigar os seus impactos.

 

Através de uma abordagem de Aprendizagem-Serviço, que está a ser experimentada naquela faculdade da UCM com o apoio da FGS, do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP) e do Centro de Investigação Santo Agostinho (CISA) da UCM, universidade e comunidades locais da Beira, idealizam e implementam experiências de aprendizagem partilhada que culminam na criação de projetos e ações comunitárias.

Todo este processo teve início com uma formação intensiva presencial, desenvolvida em março de 2022, para docentes e estudantes daquela faculdade da UCM. Dinamizada pelo CEAUP, com a colaboração da FGS e do CISA, esta formação, num primeiro momento, capacitou o corpo docente ao nível da metodologia de Aprendizagem-Serviço (ApS). Num segundo momento, o grupo de docentes com o apoio do CEAUP, idealizou e implementou uma formação de 25 horas onde se explicou a um grupo de cerca de 15 estudantes universitários/as a metodologia da ApS e se promoveram conhecimentos sobre o que são as Alterações Climáticas, quais as suas causas e consequências.

Passado cerca de 10 meses do seu início, as experiências de Aprendizagem-Serviço que o Projeto ReAgir está a promover, encontram-se na fase de implementação com as comunidades locais. Em Nhangau trabalha-se para a sensibilização daquela comunidade rural para a questão da reflorestação e planeia-se uma campanha de plantio de árvores (gestão ambiental). No bairro de Matacuane, na zona urbana da Beira, sensibiliza-se a comunidade para a gestão dos resíduos urbanos e foi levada a cabo, com parceiros locais, uma campanha de limpeza. Ambas estas experiências são o resultado de um diagnóstico realizado pela UCM com as comunidades.

Fruto do caminho realizado até aqui, investigadores e investigadoras do CISA levaram a cabo a produção de 2 artigos científicos, sobre a integração de uma experiência de ApS em contexto universitário, que foram apresentados numas jornadas científicas da UCM. Do mesmo modo, foi submetido um artigo ao Congresso de ApS que decorrerá em Barcelona durante janeiro de 2023, como forma de partilhar a experiência que está a ser levada a cabo na Beira.

A abordagem de Aprendizagem-Serviço (ApS) é uma metodologia de extensão universitária que nasce do cruzamento entre a formação universitária (Aprendizagem) e o compromisso social(Serviço).

A extensão universitária nasceu na Inglaterra, no século XIX, enquanto “Educação Continuada” (Lifelong Education), mas apenas no início da década de 1960 é que este conceito se tornou indissociável do ensino e da pesquisa, tornando-se, também, uma ação de compromisso com as comunidades locais.

 

No fundo, e por outras palavras, pretende-se a ApS pretende reforçar nas Universidades uma visão que assume que a produção de conhecimento implica, de forma intrínseca, a responsabilidade e o compromisso social com as problemáticas sociais e ambientais de cada território.

Na região da Beira, através do trabalho que o projeto ReAgir está a levar a cabo com a UCM, pretende-se exatamente isto. Criar um projeto de educação universitária comprometida com as problemáticas das comunidades locais, através da interseção de três agentes chave: docentes, estudantes e as comunidades com as várias organizações de âmbito local (ONG, movimentos sociais e poder local).

Até novembro de 2023 iremos continuar a trilhar caminho, neste percurso partilhado, em direção à construção de mais conhecimento e de mais envolvimento.

[1] O projeto ReAgir às Mudanças Climáticas nasceu da colaboração entre a FGS – Fundação Gonçalo da Silveira, o CISA – Centro de Investigação Santo Agostinho, da Universidade de Moçambique e o CEAUP – Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, através da abordagem de Aprendizagem-Serviço com jovens das comunidades da Beira, Moçambique.

 

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