Este dossier da Africana Studia começou por se compor de artigos selecionados de entre os apresentados no V Encontro Internacional sobre Desporto e Lazer em África, sob o lema “Vivências coloniais e dinâmicas nacionais”, organizado pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais, com a colaboração da Escola Superior de Ciências do Desporto, da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, de 8 a 9 de novembro de 2018. Juntaram-se outros estudos sobre manifestações culturais diversas, populares e urbanas, em diversos contextos africanos.

War and conflicts in Africa are usually linked to artificial borders, a lasting heritage of the colonial times1. In fact, about 70 % of the continental borderlines were settled – only among European powers – in less than 25 years (1885-1909). By the end of the Scramble for Africa, the geometrical lines (parallels, meridians and straight lines between points) accounted for more than 40 % of African borders – in Europe, the equivalent borders are 5%. Furthermore, only 11 % of African border-making decisions were based on human geography while this factor accounts for 50 % of the European borders (Bougetaia, 1981: 28; Foucher, 2014: 14; 18; 21).

Évoquer les questions environnementales en Afrique est indissociable de la notion de crises, de dégradation, que ce soit des ressources ou des paysages qui leurs sont associés. Dans les discours, comme dans les représentations, ces processus de dégradation seraient principalement causés par les sociétés africaines dont les modes de gestion et de valorisation des ressources sont souvent remises en cause et qualifiées de sous-développés, voir «arriérés».

The end of the cold war during the second half of 1989 also culminated in the Bretton Woods institutions joining the surviving superpower, the United States, in galvanising changes in the world order and for Sub-Saharan Africa. Multiparty, democratic elections were part of the constraints for accessing international finance. This left part of the North Africa and Middle East regimes to continue because of its special oil relationship with the West. In implementing competitive leadership change to replace the post-colonial One-Party-State system, a new process of national consultative conventions in former Francophone, Anglophone and Lusophone countries started putting together new draft constitutions, establishing function parliaments whilst reforming the public service to now include Election Management Bodies (EMB) as well as parliamentary mandated Election Commissions (ECs) established through the new Electoral Acts. This structure was and continues to be responsible for managing the six key dimensions of an election: delimitation, voter and candidate registration, campaigning, polling, collating and the announcement of results. The actual start for the continent to implement the new democratic norms was Benin 1991.

Este volume da Africana Studia, subordinado ao tema Modernidade e repressão em Angola, incide na história de Angola, um Estado erigido num território desenhado a partir dos devaneios colonialistas, dos conflitos e, bem assim, das concertações diplomáticas na Europa entre finais de oitocentos e inícios de novecentos. A heterogeneidade existente e recriada pelas dinâmicas colonialistas fica indiciada por este conjunto de artigos sobre a Angola da era colonial e do pós-independência.

O primeiro objetivo deste número é contribuir para trazer alguma visibilidade e, esperamos, compreensão, ao impasse que à escala mundial pesa sobre o mais antigo conflito colonial em África.
As políticas de impasse num conflito com mais de quarenta anos não implicam apenas um arrastamento de reuniões e resoluções nos edifícios com ar condicionado das Nações Unidas. Impactam igualmente uma população – a saharaui – que vive divida por um muro militar de 2 720 km: nos campos de refugiados no sul da Argélia, nos territórios libertados sob controlo da RASD (República Árabe Saharaui Democrática), na chamada “prisão a céu aberto” sob ocupação marroquina, na diáspora em busca de trabalho e/ou em fuga.

Com a recessão mundial de 2008, o PIB dos estados africanos cresceu cada vez mais len­tamente durante a última década. Os que responderam ao aumento da procura de bens primários - em 2015, cerca de 24 % dos investimentos externos em África ainda foram para o sector energético (carvão, petróleo e gás) - registaram aumentos nas importações de capital. Contudo, o continente continua muito longe dos grandes fluxos: em 2015, recebeu apenas 8 % do investimento direto mundial. Como seria de esperar, em muitos territó­rios, sobretudo da África setentrional, ocidental e central, a maior instabilidade política e o desemprego crescente levaram a sucessivas vagas migratórias com o impacto que se conhece, particularmente na região do Mediterrâneo.

Este número de Africana Studia reúne alguns textos apresentados no congresso de homenagem a José Capela (pseudónimo de José Soares Martins), José Capela e a história de Moçambique: 45 anos depois de O vinho para o preto, realizado em 19 e 30 de maio de 2017, no Porto, numa organização conjunta do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, do Centro de História da Universidade de Lisboa, do Centro de Estudos Internacionais do Instituto do Instituto Universitário de Lisboa e do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.

O arquivo, no senso mais largo do termo, continua sendo tema central na historiografia africanista. Nesse dossiê, as potencialidades de certos arquivos, assim como as suas problemáticas, são analisadas em relação à África Austral, com enfoque em Angola e Moçambique. Os artigos aqui incluídos são resultado da crítica e da maturação de ideias inicialmente apresentadas pelos seus autores durante o Seminário Internacional “Cultura, Política e Trabalho na África Meridional”, que teve lugar na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (Brasil), entre 11 e 14 de maio de 2015.

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