Africana Studia, nº5, 2002

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Índice:

  • José Capela - O Império escravista (p. 7-25)
  • António Almeida Mendes - Uma contribuição para a história da escravatura no Benim: o livro de armação do navio São João (1526) (p. 27-46)
  • Arlindo Caldeira - A escravatura africana vista da América. Alonso de Sandoval e o tráfico de escravos em Angola no início do século XVII (p. 47-73)
  • José Curto; Raymond R. Gervais - A história da população de Luanda no período final do tráfico atlântico de escravos, 1781-1844 (p. 75-130)
  • Martin Lienhard - África na senzala latino-americana. Utopias de escravos rebeldes: Brasil e Cuba, década de 1830 (p. 131-153)
  • João Pedro Marques - Tráfico e supressão no século XIX: o caso brigue Veloz (p. 155-179)
  • Maciel Morais Santos - A rentabilidade do cacau de S. Tomé e Príncipe - hipóteses de explicação (p. 181-212)
  • Isabel Castro Henriques - A revisão da escravatura e do tráfico negreiro em Moçambique (1733-1904) na obra de José Capela (p. 213-226)
  • José Carlos Venâncio - "O Mar e o Mato. Histórias de escravidão (Congo-Angola, Brasil, Caribe), Salvador", de Martin Lienhard (p. 229-231)
  • João Pedro Marques - "O trato dos viventes. Formação do Brasil no Atlântico sul", de Luiz Felipe de Alencastro (p. 233-239)
  • José Capela - "A Manilha e o libambo. A África e a escravidão, de 1500 a 1700", de Alberto Costa e Silva (p. 241-244)

 

Editorial

Tendo a escravidão e o seu tráfico constituído parte substancial da colonização moderna em África, o seu estudo não pode deixar de exigir a todos quantos se debruçam sobre a história do continente uma atenção constantemente renovada. No caso dos sistemas escravocratas que tipificaram a colonização moderna desde o século XV, esta exigência é tanto mais urgente quanto foram por muito tempo marginalizados pela historiografia portuguesa. Convocá-los à praça pública, porventura ao debate, para além de contribuir para o resgate do silêncio acomodado, alimenta a veleidade de terapia para a má consciência que o impôs.
Por outro lado, discutir este problema mais não é do que retomar uma tradição da academia portuguesa, para a qual a escravatura nas colónias foi uma questão candente. Nos séculos XVI e XVII, nas universidades de Évora e de Coimbra, mestres da época dissecaram a sua razão de ser. Encararam o problema sem ambiguidades e fizeram-no de uma forma que não foi meramente especulativa já que recorreram à investigação da realidade comezinha do negócio respectivo e das situações concretas em que então funcionava o sistema. Esta curiosidade intelectual, que era também moral, nem por isso teve seguimento : nem o Iluminismo, nem outras correntes reformadoras do pensamento, da investigação e do ensino, nem os condicionalismos universitários de grande parte do século XX português permitiram a continuidade que a reflexão de Quinhentos e de Seiscentos auspiciava. Considerando que a actual fase da globalização impõe cada vez mais o estudo das raízes da história de Africa, esta ordem de razões seria suficiente para justificar o número presente mas não é a única.
Ao constituir um factor substancial na implantação mundial do capitalismo, a escravatura projectou representações mentais indeléveis para além da sua existência legal, provocando uma certa confusão semântica e dificultando a clarificação conceptual. Por exemplo, a imprensa portuguesa de finais do século XIX designou frequentemente por escravatura a emigração de Portugal para o Brasil - emigração que sucedia imediatamente à que até então se fizera de África - visto as semelhanças de conteúdo parecerem mais importantes do que as diferenças formais. Tanto quanto os estudos recentes sobre o « indentured labour » permitem ver, as formas históricas do trabalho importado e comprado à distância não estão ainda definidas e as equivocidades têm-se arrastado praticamente até aos nossos dias. Pior do que isso, a própria realidade que estes conceitos em construção pretendem englobar está longe de se ter extinguido, o que também justifica que se mantenha aberta esta linha de investigação.
A heterogeneidade dos trabalhos aqui apresentados reflecte a complexidade e envergadura dos problemas mas mostra também a atenção recente que uma nova historiografia está a prestar à colonização portuguesa . Deste modo, as nossas lacunas em tornar esta compilação suficientemente representativa de todos os projectos de investigação actualmente em curso constitui uma nota optimista sobre a profundidade da actual revisão.
 
José Capela
Maciel Morais Santos
 

Ficha Técnica:

Director: António Custódio Gonçalves
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Conselho de Redacção/Editorial Board: António Custódio Gonçalves, Carlos José Gomes Pimenta, Elvira Mea, Ivo Carneiro de Sousa, João Francisco Marques, José Capela, José Carlos Venâncio, Maciel Morais Santos, José Manuel Pereira Azevedo, Maria Cristina Pacheco, Mário Vilela.
Secretariado: Raquel Maria Machado da Cunha
Propriedade: Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto
Edição: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Impressão e acabamento: SerSilito-Empresa Gráfica, Lda./Maia
ISSN: 0874-2375
Depósito legal: 138153/99
Revista anual: n° 5 - 2002
Tiragem: 500 exemplares
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