Africana Studia, nº 19, 2º semestre, 2012

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Descrição

Índice

  • Editorial (p.5)
    • O Mediterrâneo - visões políticas e culturais durante a primavera árabe
    • Impérios em conflito
    • Abd-l-Aziz Assaoud - Maroc et Ibérie: Conquête, Reconquête et visions croisés(p.11)
    • Jorge Martins Ribeiro - Le Portugal et les États-Unis face aux puissances barbaresques à la fin du XVIIIe et début du XIXe siècle (p.21)
    • Anne-Lise Louca - John Ninet 1815 – 1895: une vision suisse décentrée de l’Égypte à la fin du XIXe siècle (p.27)
    • Carla Prado - Portugal e Argélia, visões de um conflito: a guerra de independência argelina vista pela diplomacia portuguesa (1954 - 1964). (p.33)
    • Representações: geopolítica, media, literatura
    • Cláudia Toriz Ramos - O Mediterrâneo e as transições democráticas (p.45)
    • Jorge Rodrigues - The Turkish Model: new dynamics on Mediterranean’s policy (p.59)
    • Serge Allemand - La prudence française face au printemps arabe: - l’héritage du passé colonial (p.73)
    • Maria de Fátima Marinho - Les masques de l’autre (p.81)
    • Entrevista
    • Diaa Raswhan - Interview by Maciel Santos and Marco Alvarez (p.95)
    • África em Debate
    • Poderes e identidades
    • Fernanda Thomaz - Codificação dos costumes: Gonçalves Cota e os códigos jurídicos para os “africanos” de Moçambique (p.105)
    • Augusto Nascimento - Notas sobre as demandas sociais e a construção de conhecimento entre o fervor identitário e a tutela política em São Tomé e Príncipe (p.117)
    • Problemáticas do desenvolvimento em África
    • Mbanga Lawrence Akey | Takem Mbi Bienvenu Magloir - A socio-economic and environmental analysis of peri-urban agricultural activities in the Yaounde-Nsimalen area (p.141)
    • Paulo Duarte - Beijing in the ‘land of opportunity’: assessing the Sino-African partnership (p.157)
    • Eduardo Medeiros - A nova Associação da Comunidade Chinesa em Moçambique (p.168)
    • Notas de Leitura
    • René Pélissier - Derrière la façade (p.173)
    • Augusto Nascimento - Um novo eixo gravitacional? África e o Brasil (p.195)
    • Resumos (p.201)
    • Legendas das ilustrações (p.208)

Editorial 

Os 2,5 milhões de quilómetros quadrados do Mediterrâneo contêm a mais alta densidade de conflitos de toda a história. Com a configuração de um corredor no sentido da longitude, este mar fez convergir forças expansionistas vindas dos três continentes que o rodeiam, podendo dizer-se que durante os últimos 2500 anos nenhuma outra região da terra foi mais disputada. Servindo de bomba aspirante para impérios antigos e modernos, a região do Mediterrâneo ganhou também uma inércia específica: nenhuma potência - com excepção de Roma (a única a dominá-lo integralmente) e do império otomano na sua metade oriental - se conservou hegemónica por mais de dois séculos. Compreende-se que Hegel, para falar do efémero, se tenha servido só de exemplos de potências mediterrânicas:

“Quem terá estado entre as ruínas de Cartago, de Palmira, de Persepolis e de Roma, sem se entregar a considerações sobre a caducidade dos reinos e dos homens(..)?”

 Durante os primeiros três séculos do mercado mundial e com as rotas atlânticas a desvalorizarem a situação geopolítica do Mediterrâneo, a duração das suas hegemonias regionais diminuiu na razão directa da contemporaneidade. Quando através da abertura do canal do Suez o mar interior recuperou parte do seu valor estratégico, já a correlação de forças imperialistas não permitia senão meras supremacias navais, também de curta duração (a actual, a da 6.ª frota dos EUA, começou na década de 1950). Deste modo, os transitórios “equadores” políticos ou militares que dividiram a região não impediram a formação de um “caldo cultural” mediterrânico, que apesar de tudo foi coexistindo com numerosas micro-identidades.

Mais do que nunca, o Mediterrâneo continua hoje a fazer o seu antigo jogo de espelhos, em que todos os vizinhos se observam de perto. No entanto, com cada vez mais parceiros de fora: os terminais mediterrânicos dos oleodutos africanos, russos e caucasianos fizeram com que a estes observadores tradicionais se juntassem as potências hegemónicas dos últimos 60 anos, que vêm agora de continentes não-vizinhos (norte-americanos, BRIC’s, China).

Os registos diplomáticos, os relatos de viagens, os media onde se popularizaram as expressões “Próximo Oriente” e “Médio Oriente”), a ficção literária e as próprias ciências sociais têm sido canais de uma inesgotável diversidade de estereótipos e de interpretações sobre a região. Sem ter a pretensão de os inventariar, este pequeno dossier pretende simplesmente indicar algumas linhas de pesquisa actuais sobre as identidades mediterrânicas. Pretende igualmente explorar a ideia de que a perspectiva comparada, longe de aumentar a sensação de caos ou de déjá vu, permite captar um pouco melhor as dinâmicas geopolíticas e culturais mediterrânicas.

São assim apresentados oito trabalhos atuais sobre o Mediterrâneo, não necessariamente de mediterrânicos. Sendo um mar pequeno e interior, este acidente geográfico foi sempre muito mais vasto que o espaço com que qualquer sistema cartográfico o representa.
 

 

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